Medição Inteligente – em destaque no evento Metering Latin America

Entrevista publicada no site da Metering Latin America 2010:
Elton Mello
Gerente Técnico do Laboratório de Medidores de Água
DMAE
Brasil

  1. Nos dê uma visão geral das operações de medição e projetos em andamento na sua empresa.
    A qualidade da medição, além dos programas de manutenções corretiva e preventiva com a substituição dos medidores  a cada 5 ou 8 anos, conforme critérios de utilização e operação, é buscada através de várias ações que envolvem o DMAE como um todo e que são orientadas pelos indicadores – perdas por ligação, perdas de faturamento, hidrometração, macromedição, produtividade de pessoal –  estabelecidos no  Acordo de Melhoria de Desempenho, assinado junto à Secretaria Nacional de Saneamento Ambiental para contratação do Programa “Saneamento para Todos”. De uma forma ou outra estes indicadores, obrigatoriamente, impactam ou são impactados pela qualidade da medição.

    Outros dois programas, resultantes de legislação municipal, orientam a política de medição do Departamento: Programa de Conservação, Uso Racional e Reaproveitamento das Águas, onde se inclui o Programa de Individualização da Medição, sendo o DMAE responsável pela gestão da medição individualizada em condomínios populares.

  2. Qual o benefício da medição inteligente/smart grids para sua empresa? (Quais os projetos em andamento, pilotos, resultados, etc)
    A medição inteligente tem na individualização da medição um dos principais fatores que a está impulsionando no mercado imobiliário e, também, oportunizando a sua incorporação pelo setor água. A individualização permite que se aprofunde o conceito de justiça na cobrança da água – o usuário paga apenas o seu consumo – e atua como incentivadora para a sua economia e conservação e, por isso, tende a crescer ainda mais no Brasil.

    Mas, para isso, a instalação de sistemas de individualização da medição deve ser prática e ágil, em especial dispensando a plena acessibilidade ao hidrômetro para a leitura mensal, de forma a permitir que o mesmo seja instalado em locais cujo acesso se dê apenas no momento da manutenção.

    Claro que esta vantagem pode e deve ser estendida à medição em geral – residencial, comercial e industrial, pois a acessibilidade ao hidrômetro é uma das maiores causas de negativa ou erro de leitura, o que implica em emissão de contas de água por média e que, muitas vezes, camuflam problemas, como vazamentos, que estão ocorrendo ou ocorreram nas instalações hidrossanitárias do imóvel.

    Aliada a esta vantagem, outro benefício da medição inteligente é a confiabilidade dos dados que, praticamente, reduz os erros de leitura à zero. No caso do DMAE, considerando os seis primeiros meses de 2010, o índice de leituras que apresentaram erros e que foram revisadas foi de 2,05% do total de medidores lidos, o que significa uma média de 5.450 leituras/mês. Some-se a este indicador as alterações nos consumos medidos que exigiram a confirmação de leitura e que, no mesmo período, representaram 2,24% do total de leituras realizadas, representando uma média de 5.950 re-leituras/mês.

    Esta confiabilidade é alcançada pela ausência da interface humana no ato da leitura e, principalmente, graças às informações adicionais que agregam valiosos parâmetros ao volume registrado e lido, como vazamentos (sua existência é comprovada e é indicado qual o volume desperdiçado) e fraude no medidor (inversão).  Desta forma, além dos custos envolvidos, o DMAE evita a reemissão de contas de água ou mesmo a devolução de valores pagos indevidamente e o usuário tem a garantia de uma medição correta e transparente, podendo pleitear revisão da conta com os dados registrados para o caso de vazamento ou fuga, quando a legislação permite, como ocorre em Porto Alegre.

    No primeiro trimestre de 2009, realizou-se um pequeno piloto, quando todas as vantagens e desvantagens foram avaliadas tecnicamente e levantados os cuidados e as exigências para a aplicação em maior escala de um sistema de medição por rádio-frequência. Por isso o DMAE conta, desde novembro de 2009, com dois locais que são telemedidos: Mercado Público com 114 bancas/lojas e um Condomínio Popular com 1.236 apartamentos.

    O sucesso destas experiências permitiu que se projete um total de 4.000 pontos de medição a serem cobertos até meados de 2011, incluindo novos condomínios que estão sendo construídos com financiamento federal pelo Programa “Habitação Popular – Entidades – MInha Casa, Minha Vida”, cuja medição e entrega das contas serão feitas pelo DMAE e, também, galerias comerciais espalhadas pela cidade cuja localização do medidor no interior dos estabelecimentos é um complicador para o ato de leitura.

  3. Que estratégias estão em vigor para reduzir perdas?
    A medição inteligente incorpora facilidades que são poderosas armas no combate às perdas por submedição e imprescindíveis para as empresas de água poderem atuar efetivamente e eficazmente.A gestão contínua da operação dos hidrômetros instalados – aplicada especialmente nos grandes consumidores – permite identificar instantaneamente medidores parados, possibilitando a troca imediata dos mesmos e com isso evitando a cobrança por média; ou acionar a manutenção preditiva em medidores que apresentem indícios de queda de desempenho.

    A gestão do consumo de cada usuário, ou seja, conhecer o histograma ou perfil de consumo real de cada uma das ligações de água, com suas vazões mínimas e máximas e o percentual de volume consumido em cada uma das faixas de vazões, é a ferramenta da medição inteligente a ser empregada para o correto dimensionamento dos medidores por parte da empresa de água e utilizada pelo consumidor para evitar os desperdícios de água.

  4. Quais as próximas atividades na área de medição de sua empresa?
    A redução das perdas por submedição orientada pela gestão contínua da medição e pela gestão do consumo é a responsável pela contratação em 2010 e implantação, a partir de 2011, de uma solução completa de medição inteligente para os 650 maiores consumidores do DMAE e que respondem por aproximadamente 15% do volume medido e 19% de seu faturamento.

    Esta é a primeira etapa do projeto que objetiva alcançar nos próximos 5 anos os 3.000  maiores consumidores – responsáveis por cerca de 50% do faturamento do Departamento – através de um sistema de AMR, que permita compartilhar via web as informações obtidas em tempo real com cada cliente e assim compatibilizar a melhoria da qualidade da medição com  o uso racional da água.

  5. Quais são alguns dos principais desafios que sua empresa irá enfrentar nos próximos anos?
    O maior desafio que as empresas de água em geral, e o DMAE em particular, irão enfrentar nos próximos anos será o imperativo global cada vez maior para a adoção de novas tecnologias para monitorarem e conservarem a água que captam, tratam e distribuem e, ao mesmo tempo, permitirem que em tempo real o cliente veja o seu consumo, os preços tarifados por volume consumido e o valor dispendido em água, para que ele mesmo possa minimizar ou otimizar o seu uso.

    A tecnologia de smart grid ainda está muito cara, principalmente se comparada com a realidade de carência de infra-estrutura na área de saneamento no Brasil, mas o seu uso crescente, com a aplicação mesmo que não plena da medição inteligente, tende a reduzir rapidamente os seus custos.

    Por outro lado, os gargalos tecnológicos estão sendo superados pela criação de normas técnicas – como a NBR 15806, primeira norma mundial para sistemas de medição remota -, permitindo, inclusive, que se vislumbre o estabelecimento de padrões de comunicação para garantir a interoperacionalidade dos equipamentos de fabricantes diferentes, o que facilitará e dará segurança no processo de implantação em larga escala da medição inteligente pelo setor água.

    Assim, podemos afirmar que as empresas de água que mais cedo começarem a dominar e incorporar o uso do smart grid, mesmo que parcialmente em seus processos de medição, mais aptas estarão para responderem as exigências que o mercado, a sociedade e o meio-ambiente já estão impondo.


    Elton Mello, Gerente Técnico do Laboratório de Medidores de Água, DMAE
    Engenheiro Mecânico formado em 1980 pela Universidade Federal de Santa Maria com especialização em Engenharia Clínica pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Engenheiro concursado, desde 1995, do Departamento Municipal de Água e Esgoto – DMAE, tendo atuado na área de micromedição e perdas. De 2001 a 2003 exerceu a função de Superintendente Comercial do DMAE, responsável pelas áreas de aprovação de projetos hidrossanitários, de ligações de água e micromedição, de arrecadação e de atendimento ao usuário. No período de 2003 a 2008 esteve cedido ao Ministério da Saúde do Brasil para atuar como Gerente de Engenharia e Patrimônio do Grupo Hospitalar Conceição de Porto Alegre – RS. Em junho de 2008, retornou ao DMAE para ocupar o cargo de Gerente Técnico do Laboratório de Hidrômetros com a missão de levar o Laboratório à certificação pela NBR ISO /IEC 17025:2005 e a tarefa de implantar a telemetria na medição da água distribuída pelo DMAE na cidade de Porto Alegre/RS.

    Trabalhos publicados:
    * Mello, Elton J., Rabello Jr., Maturino. Manutenção preditiva de medidores de água, baseada em critérios comerciais. 39ª Assembléia Nacional da ASSEMAE. Anais. Gramado-RS, maio de 2009.
    * Mello, Elton J., Farias, Ruben de L. O ar e a sua influência na medição do consumo. XXI Congresso Brasileiro de Engenharia Sanitária e Ambiental – ABES. Anais. João Pessoa-PB, 2001.
    * Mello, Elton J. As perdas não físicas e o posicionamento do medidor de água. XXVII Congresso Interamericano de Engenharia Sanitária e Ambiental – AIDIS. Anais. Porto Alegre-RS, 2000.
    * Mello, Elton J. Perdas não físicas pela submedição: O hidrômetro classe C é a solução? 28ª. Assembléia Nacional da ASSEMAE. Anais. Porto Alegre-RS, 1999.
    * Mello, Elton J. Recuperação de hidrômetros: Prejuízo ou investimento? 27ª. Assembléia Nacional da ASSEMAE. Anais. Vitória–ES, 1998.
    * Mello, Elton J. Perdas na medição: A contribuição do hidrômetro inclinado. 24.ª Assembléia Nacional da ASSEMAE. Anais. Brasília-DF, 1997.

    Sobre o Departamento Municipal de Água e Esgotos (DMAE)
    O Departamento Municipal de Água e Esgotos (DMAE) foi criado em 15 de dezembro de 1961 e é o órgão responsável pela captação, tratamento e distribuição de água, bem como pela coleta e tratamento do esgoto sanitário (cloacal) no município de Porto Alegre, Estado do Rio Grande do Sul, Brasil, cuja população é de aproximadamente 1.450.000 habitantes.
    É responsabilidade do Departamento fiscalizar e manter esses serviços, além de planejar e promover, de forma constante, seu melhoramento e ampliação, garantindo a infra-estrutura necessária para o crescimento sustentável da cidade.
    O DMAE conta hoje com cerca de 2.500 funcionários ativos e uma estrutura que inclui oito (8) Estações de Bombeamento de Água Bruta (EBABs), sete (7) Estações de Tratamento de Água (ETAs), 92 Estações de Bombeamento de Água Tratada (EBATs), 99 reservatórios, nove (9) Estações de Tratamento de Esgotos (ETEs), 17 Estações de Bombeamento de Esgotos (EBEs), cerca de 3,7 mil quilômetros de rede de água e mais de 1,6 mil quilômetros de rede de esgotos, além de serviços de atendimento ao usuário.
    Atualmente 100% dos porto-alegrenses são abastecidos com água tratada e 85% da população dispõe do serviço de coleta de esgoto. A capacidade de tratamento de esgotos da cidade é de até 27% e, através do Programa Integrado Sociambiental (PISA), o Departamento executa obras com previsão de conclusão em 2012, que irão ampliar o tratamento de esgotos em Porto Alegre para 77%.

Via [MLAM2010]

Um novo livro sobre “Micromedição em sistemas de abastecimento de água”

Por Elton J. Mello
Fonte: Revista Metering International América Latina, Edição 2 – 2009

cavalcanti

Durante o 25º Congresso Brasileiro de Engenharia e Sanitária e Ambiental, que se realizou em setembro de 2009,  o engenheiro pernambucano Adalberto Cavalcanti Coelho, um dos mais renomados especialistas brasileiros em medição de água e controle de perdas,  lançou a sua mais recente obra que aborda todos os temas fundamentais da área da micromedição: Gestão comercial, avaliação do parque de hidrômetros, tipos e instalação de medidores, leitura à distância, medição individualizada e ensaios de hidrômetros com suas respectivas normas técnicas. O livro constitui-se em leitura obrigatória para dirimir dúvidas, realizar consultas ou, simplesmente, buscar orientações, quando o assunto for medição de água.

A importância e a atualidade dos assuntos desenvolvidos em cada capítulo, aliados às posições contundentes, algumas polêmicas, mas sempre espelhadas nos dados fartamente ilustrados, frutos de pesquisas e estudos que embasam as suas conclusões e propostas, resultam no que de melhor o livro brinda a seus leitores: uma valiosa contribuição para o aprimoramento da qualidade da medição de água no Brasil.

Com esta obra, Adalberto consegue fazer um resgate de sua trajetória profissional, marcada por importantes contribuições ao saneamento brasileiro, como na questão da medição individualizada, na qual foi pioneiro e grande incentivador. Desta maneira, apresenta um guia prático e completo para a implantação ou adequação de um sistema de gestão da hidrometria baseado em critérios técnicos e econômicos que, antes de tudo, assegure a correta e justa medição da água consumida. Garantindo, assim, a sustentabilidade econômica das empresas concessionárias de água, ao mesmo tempo em que incentiva a conservação do precioso líquido, fonte da vida.

Para alcançar os seus objetivos, Adalberto não mede esforços em dar o devido destaque ao medidor de água, em especial para as formas – seleção, instalação, monitoramento, manutenção, avaliação – de assegurar a sua eficiência visando garantir a qualidade da micromedição ao longo de sua vida útil e, com isso, reduzir as perdas aparentes e de faturamento das empresas concessionárias.

Por apresentar e discorrer sobre as modernas tecnologias incorporadas pela medição de água nos últimos anos, este livro destina-se, especialmente, para a reciclagem e atualização dos profissionais e gestores deste setor do saneamento, inclusive, apresentando e analisando alguns itens da Resolução nº 49 da OIML[1]. E, pela abrangência dos assuntos abordados, este livro é uma valiosa fonte de informação e pesquisa para todos os interessados no tema micromedição em sistemas de abastecimento de água.

A obra de Adalberto vem enriquecer, desde já, o cenário que se vislumbra a partir deste ano para a micromedição brasileira com a publicação do novo Regulamento Técnico Metrológico, reforçando e propondo o que sempre defendeu e lutou outro notável especialista da área, o Eng. Milton J. Nielsen: “a evolução tecnológica dos medidores de água permite e demanda uma revisão e melhoria nos procedimentos de medição até então praticados”.


[1] A Resolução nº 49 da OIML – Organização Internacional de Metrologia Legal serviu de base para a elaboração do novo RTM – Regulamento Técnico Metrológico brasileiro sobre medidores de água, que substituirá a regulamentação estabelecida pela Portaria nº 246/2000 do Inmetro.

Análise sócio-demográfica para a caracterização de consumos domésticos em sistemas de distribuição de água

O objectivo desta dissertação consiste na identificação e análise dos factores mais relevantes para a caracterização dos consumos domésticos em sistemas de distribuição de água.

Entre estes factores salientam-se o preço da água, a tarifa, os factores climáticos, os factores sócio-demográficos, as características dos alojamentos e os hábitos do agregado familiar.  Como caso de estudo é analisada uma amostra de 240 consumidores domésticos, residentes na zona de Lisboa.

A presente dissertação encontra-se integrada no projecto de investigação “Utilização de dados de telemetria domiciliária na gestão de sistemas de distribuição de água”, co-financiado pela Fundação para a Ciência e Tecnologia (FCT), coordenado pelo Laboratório Nacional de Engenharia Civil (LNEC), com a participação da EPAL S.A., e actualmente em curso (2004-2009).

A dissertação é constituída por oito capítulos e sete anexos,  compreendendo uma síntese de conhecimentos nas áreas de caracterização de consumos domésticos e das tecnologias de telemetria em sistemas de distribuição de água, a descrição do caso de estudo, a recolha e o processamento de dados sócio-demográficos e de consumo, a construção de variáveis, um levantamento de técnicas estatísticas de análise e de interpretação de dados, a análise de resultados e as conclusões do estudo e recomendações para trabalhos futuros.

Para a análise dos resultados foram efectuadas análises estatísticas uni e bivariadas, foram utilizadas técnicas de variância a um factor (OneWay ANOVA) e foram construídas matrizes de correlação entre variáveis de consumo e variáveis sócio-demográficas. Nestas análises foi estudado o consumo para os dias úteis, os sábados e os domingos e foram analisados factores de ponta. Como resultado final desta dissertação, apresenta-se a lista dos factores sócio-demográficos que melhor se correlacionam com as variáveis de consumo, para o caso de estudo analisado.

Baixe aqui o trabalho completo em PDF.

Autor: Luís Figueira de Castro Pinheiro
Fonte: Dissertação (Mestrado) – Laboratório Nacional de Engenharia Civil – Universidade Técnica de Lisboa. Portugal, 2008.

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N.E.: PUBLICADO EM 21/05/2009

Fatores chaves que afetam a exatidão do medidor de água

Como qualquer outro dispositivo de medição, um medidor de água não é um instrumento ideal e não é capaz de registrar o montante exato da água consumida por um usuário. Cada medidor de água, independentemente do seu tipo, tem limitações de medição consideráveis. Muitas vezes, parte da água que é consumida não é registrada e, portanto, não é cobrada do consumidor. Outras vezes, dependendo da tecnologia de medidor de água, alguns fatores específicos podem conduzir ao resultado oposto, isto é, para uma elevação do registro do consumo de água. Em qualquer destes dois casos, desde que as imprecisões do medidor de água são reconhecidas como um componente crítico das perdas aparentes, é importante ser capaz de quantificar a magnitude desses erros de medição.

Hoje em dia existe uma falta geral de informações, baseadas em dados reais, sobre o efeito real das diferentes parâmetros no desempenho dos medidores de água. Por conseguinte, o pessoal técnico dos serviços de água tem de avaliar ou estimar a precisão do medidor de água e analisar os fatores que podem ter qualquer influência sobre ela, sem a ajuda de referência bibliográfica ou experiência externa.

Este trabalho apresenta dados reais de campo e de laboratório sobre como vários fatores podem afetar a exatidão de medidor de água para ambos os tipos, doméstico e industrial, e de diferentes tecnologias, uni ou multijato, pistão rotativo, Woltman e medidores Tangenciais. Particularmente, a influência dos seguintes parâmetros na metrologia do medidor de água será analisada: posição de montagem, distorções de perfil de velocidade, ensaios de fadiga, deposições, bloqueio parcial do filtro ou da entrada do medidor de água, dimensionamento incorreto, padrões de consumo da água e a presença de reservatórios de armazenamento do usuário.

Como resultado das experiências ficou claramente demonstrado que nem todos os medidores de água tem a mesma sensibilidade aos parâmetros anteriores. Além disso, diversos modelos de medidores da mesma tecnologia apresentam comportamentos muito diferentes em função das características construtivas específicas de construção de cada instrumento. Consequentemente, para reduzir a magnitude das perdas aparentes e garantir uma exata medição de água, não é importante apenas selecionar a tecnologia de medição adequada, mas também a construção correta que atenda as características específicas do sistema de abastecimento de água.

Baixe o trabalho completo em PDF

Autores: Francisco Arregui, Enrique Cabrera Jr., Ricardo Cobacho, Jorge García-Serra

Fonte: Instituto de Tecnologia da Água. Universidade Politécnica de Valencia. Valencia – Espanha

Perfil do consumo residencial e usos finais da água

O artigo apresenta os resultados de uma pesquisa sobre o levantamento o perfil do consumo residencial e usos finais da água realizada, em uma amostra de residências localizadas na zona oeste da cidade de São Paulo. Apresenta-se uma breve revisão histórica sobre os trabalhos precursores  e os atuais que embasaram a pesquisa realizada, bem como a metodologia e os equipamentos utilizados para se monitorar o consumo de água das residências e dos pontos internos de utilização.

Os resultados estão apresentados em forma de tabelas e gráficos, onde foram identificados os consumos diários desagregados por ponto de utilização, que permitiram definir o perfil de consumo e usos finais. O chuveiro apresentou 13,9% do consumo total da residência seguido sucessivamente da torneira de pia, 12,0%; máquina de lavar, 10,9%; tanquinho, 9,2%; torneira de tanque com saída para máquina de lavar, 8,3%; caixa acoplada, 5,5%; torneira de tanque, 5,4%; e torneira de lavatório, com 4,2%. Outros usos perfazem 30,6%.

O trabalho realizado é mais uma contribuição para ampliar o conhecimento sobre as necessidades metodológicas e aplicadas no levantamento do perfil do consumo e usos finais da água, propiciando ao meio técnico a atualização dos valores do perfil de consumo e usos finais da água em residências.

Baixe o texto completo em PDF

Autor: Douglas Barreto
Fonte: Ambiente Construído, Porto Alegre, v. 8, n. 2, p. 23-40, abr./jun. 2008.

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N.E.: PUBLICADO EM 05/05/2009

Avaliação das metodologias de dimensionamento de hidrômetros

Para ligações em condomínios residenciais verticais com mais de sete economias na cidade de Londrina

Autores: Adaberto Carraro, Antonio Gil Fernandes Gameiro, Vanderlei Gaspar, Aguinaldo Bergamo Martins e Acir Pedro Crivelari
Fonte: Sanare – Revista Técnica da Sanepar. V.23 N.23 janeiro a dezembro de 2005.

Resumo

A implantação de um sistema de gestão da micromedição, especialmente para grandes clientes, além de incrementar a receita da empresa, também contribui de forma significativa para a redução de perdas aparentes, decorrentes de falhas de cadastro, erros de medição de hidrômetros, entre outros.

A definição do melhor hidrômetro a ser instalado no ramal predial de determinado cliente atualmente é baseada nas normas técnicas da ABNT – NBR NM 212/1999 e NBR14005/1997, norma ISO 4064, literaturas, artigos técnicos e catálogos de produtos, mas estes critérios estão defasados e não atendem plenamente ao objetivo, devido às peculiaridades locais de consumo, pressão entre outros.

As ações de controle e de redução de perdas aparentes pela micromedição, representam um forte apelo, interno e externo às empresas de saneamento, visando alcançar a gestão eficiente do setor de abastecimento de água, não comprometendo as finanças da empresa, postergando investimentos na ampliação dos sistemas de água pelo estímulo ao uso racional.

Porém, por mais interessante que seja a idéia, ela não se sustenta, uma vez que os recursos financeiros necessários para a adequação do parque de hidrômetros implantado são vultosos e ainda persiste a idéia de retorno rápido do investimento.

Introdução

O sistema distribuidor de água tratada da cidade de Londrina apresentou perdas no mês de janeiro de 2005 superiores a 41,0%. Desse volume perdido e não contabilizado, considerase que 40,5% sejam perdas aparentes, atribuídas a erros de dimensionamento, instalação inadequada e perdas de rendimento por envelhecimento do parque de medidores. Também contribuem para isto os erros de leitura por falha humana, fraudes, ligações clandestinas, deficiências de cadastro, gestão comercial e outros, o que equivale a 17,48% do total produzido.

Visando desenvolver uma metodologia para mensurar o consumo mais próximo do real, foi estabelecido o PCP (Perfil de Consumo Potencial) do Grande Cliente residencial de Londrina, que embora represente apenas 0,52% das ligações totais, é responsável por cerca de 12,5% do consumo micromedido. Sendo assim, efetuou-se a análise de consumo da ligação de diferentes maneiras.

ROCHA e BARRETO (1999), YOSHIDA et al (2003) e SABESP/IPT (2000) e a NBR 7229 (ABNT-1982) apresentam diferentes métodos empíricos para determinação de consumos por habitante ou por habitação. O que se observa na prática é que a realidade das companhias de saneamento generaliza o uso de tabelas de perfis de consumo, não levando em consideração a heterogeneidade e sazonalidade do número de habitantes das ligações de água, características socioeconômicas e valores culturais, criando a necessidade da utilização de um método personalizado na determinação do conhecimento do PCP da ligação.

Para ligações novas, o dimensionamento do hidrômetro, é efetuado através de normas internas da Sanepar:

  • ECA – Estimativa de Consumo de Água: norma Sanepar IA/OPE/126-01,
  • PIHS – Projeto de Instalações Hidro-Sanitárias: Norma Sanepar PF/OPE/024-02,
  • FSE – Folha de Situação Estatística: Norma Sanepar IA/OPE/125-01
  • A determinação do PCP é de responsabilidade do projetista, construtor ou do proprietário da edificação, que deve seguir a norma NBR 5626 (Instalação Predial de Água Fria), para o dimensionamento hidráulico do edifício. O item 5.2.5.1 desta norma estabelece que: “a concessionária deve fornecer ao projetista o valor estimado do consumo de água por pessoa e por dia, em função do tipo de uso do edifício”, portanto é de responsabilidade da Sanepar fornecer os dados de consumo que serão utilizados para a definição do hidrômetro a ser instalado nas ligações prediais de água.

De acordo com o antigo Manual de Procedimentos e com o atual Sistema Normativo da Sanepar, conforme a ECA (Norma de Estimativa de Consumo de Água), IA/OPE/126-01, o consumo de água é estimado de acordo com a área do apartamento, onde em momento algum faz-se referência de se tratar da área útil ou da
área total do imóvel, simplesmente o consumo é atribuído de acordo com a tabela 1.

image

Avaliando-se o histórico de estimativas de consumos e dimensionamento de hidrômetros constatou-se que estes podem estar super ou subdimensionados, acarretando um erro já no início do uso da ligação, pois a estimativa de consumo para determinar o PIHS é feita simplesmente pela área dos apartamentos.

De posse do PIHS, o hidrômetro é dimensionado de acordo com a faixa de consumo estimado mensal, conforme é ilustrado na tabela 2.

Após a definição do perfil de consumo da ligação, a Sanepar analisa o PIHS, aprovando os itens de interesse da empresa. Normalmente os hidrômetros estão superdimensionados, conforme se quer demonstrar.

Baixe aqui o artigo completo.

Estudo do uso doméstico da água na Austrália

Autores: Michael Loh and Peter Coghlan
Fonte: Water Corporation, Perth, Western Australia, March 2003.

A Water Corporation de Western Australia abastece de água cerca de 1,7 milhões de pessoas em todo o estado de  Western Australia, dos quais cerca de 1,4 milhões vivem em Perth, a capital do estado. Com um clima mediterrâneo, o tempo de Perth caracteriza-se por invernos frios e úmidos e verões secos e quentes. A pluviosidade média anual é de 864 mm sendo que cai para 744 mm entre Maio e Outubro e apenas 36 mm nos meses de verão de Dezembro, Janeiro e Fevereiro. A maior parte da cidade reside em uma planície costeira arenosa com cerca de 20 km de largura entre o Oceano Índico e o Darling Range. Abaixo da planície, águas subterrâneas adequadas para a irrigação existem a profundidades variando de 2 m a 50 m e existem algumas restrições na maioria das áreas para prevenir que os moradores utilizem-as para finalidades de rega (jardim, relva e beira).

Durante o exercício de 1999/00, a procura total de Perth por água foi de 241 GL, distribuídos como mostrado na figua 1.1.  O uso residencial da água  representa cerca de 70% da procura total de Perth, dos quais 62% são usados por habitações uni-familiares e 8% em habitações multi-residenciais (por exemplo, flats, apartamentos e condomínios).

imageUm bom entendimento das tendências e padrões de uso doméstico da água é essencial para a Corporação planejar eficazmente as necessidades presentes e futuras dos seus consumiodores residenciais e outros. Um estudo detalhado da utilização de água doméstica em Perth foi realizado a última vez em 1981/82, quase 20 anos atrás (Metropolitan Water Authority, 1985). Em 1995, a Corporação concluiu o Estudo do Futuro da Água de Perth (PWF) (Stokes et al., 1995) que cometeu a corporação para um novo Estudo do Uso Doméstico da Água (DWUS) que poderia fornecer uma compreensão mais atual das tendências e padrões de utilização de água nas residências.

imageMais um incentivo para atualizar o conhecimento da utilização doméstica da água, veio de Comissão de Água e Rios (WRC), um dos reguladores da Corporação. A WRC é responsável pela gestão e proteção dos recursos de água da Western Australia, que inclui a alocação de recursos hídricos disponíveis para uso como o abastecimento de água público. A aprovação da WRC para o desenvolvimento de novas fontes estaria sujeita à implementação pela Corporação de um programa de eficiência de utilização de água mutuamente aceitável que defina metas de poupança realistas.

image Mais especificamente, os objetivos do novo DWUS foram para:

- coletar dados sobre o uso oméstico de água;
– identificar tendências e padrões de utilização de água; e
– desenvolver um modelo de previsão de demanda e, em uma fase posterior, um programa eficiente de uso de água.

Este relatório aborda o primeiro dos dois objetivos estudados. Descreve brevemente a metodologia de estudo, apresenta os resultados mais importantes de análise de dados e resume as principais conclusões.

As informações serão utilizadas pela Corporação para melhorar a previsão da demanda futura e desenvolver programas de eficiência do uso de água que estão em um base sólida.

Metodologia

O planejamento detalhado do estudo começou no final de 1997 e um breve resumo do processo de planejamento está listado abaixo:

- Revisão bibliográfica.
– Contatando outras agências e consultando no mundo quem tenha feito um trabalho semelhante.
– Análises estatísticas de dados de cerca de 1.000 famílias para determinar as principais variáveis que afetam o uso doméstico de água.
– Envolvimento com as partes interessadas (internas e externas) para assegurar que as suas necessidades fossem captadas.
– Determinação dos dados a coletar e o método de coleta.
– Ensaios dos medidores  usados para o estudo.

Um planejamento cuidadoso foi necessário para garantir a seleção das famílias adequadas, bem como a logística de coleta e tratamento dos dados.

Baixe aqui o estudo completo (in english).

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