Companhia de água substituiu medidor, conta alterada: Hidrômetro superfaturando?

Como é comum eu receber consultas sobre aumentos absurdos nas contas ou faturas de água, que ocorrem, via de regra, após a substituição de hidrômetros por parte das concessionárias, apresento algumas sugestões para auxiliar os usuários que se deparam com este tipo de problema e que podem causar elevados e inesperados prejuízos financeiros, sem contar a dor de cabeça até tudo ficar esclarecido.

Para isto, recorro a seguinte solicitação:

“Gostaria de pedir sua ajuda para um problema que esta me tirando o sossego.

Meu hidrômetro havia sido instalado em minha residência em 2010 e em julho próximo passado apresentou um vazamento no cavalete antes do medidor, como a água escorria pela rua pedi a empresa de abastecimento que efetuasse o reparo.

Eles acabaram trocando o hidrômetro sem que o mesmo tivesse apresentando defeito, até ai tudo bem.

Qual não foi minha surpresa quando a fatura após a troca do medidor pulou de R$ 56,00 em média para aproximadamente R$ 400,00 para uma residência de três pessoas apenas (sendo dois adultos e uma criança de 2 anos).

Reuni todas as faturas do último ano e meu consumo nunca superou a taxa mínima e, de repente, após a troca pulou para 38m³.

E o que mais me espanta é que essa reclamação é geral e em todas as residências em que foi trocado o hidrômetro houve superfaturamento do consumo. Será que todas essas residências tem vazamentos, é muita coincidência não acha? Ou será que todos esses hidrômetros estavam com defeito? E quem garante que os novos não estão superdimensionados?

No meu caso, o hidrômetro tinha apenas dois anos de uso e se for desgaste então já instalaram um com defeito em minha residência, pois desde o inicio eu sempre gastei apenas a taxa mínima, estranho não acha?

O que me chamou a atenção é que o hidrômetro anterior tinha na especificação vazão: Qmin = 0,015m³/h e Qn = 1,5m³/h e o hidrômetro atual é: Qmin= 0,05m3/h e Qn= 2,5m³/h.

Tenho total certeza que essa diferença de especificação é que esta causando esse superfaturamento nas contas dos consumidores pois verifiquei na minha vizinhança que, as pessoas que ainda não precisaram trocar hidrômetro tem o de vazão menor, enquanto os que precisaram trocar é igual ao meu e acabaram tendo problemas em suas faturas.

Preciso de um esclarecimento técnico sobre essa diferença nas especificações e se isso pode alterar a medição do consumo.

Desde já agradeço sua atenção e por favor me ajude a resolver pois acho uma injustiça com o consumidor.”

Eis as minhas sugestões enviadas a esta usuária, que acredito sirvam para a maioria dos casos:

Antes de tudo, certifique-se de que a sua conta de água continua alterada ou se já voltou ao normal, pois realmente o consumo de 38 m³/mês é muito elevado. Aceito como normal – para uma economia residencial com uma família de até 4 pessoas – consumos mensais da ordem de 10 a 18 m³/mês.

Para ver se o consumo registrado pelo hidrômetro continua alterado, faça a leitura do hidrômetro (só os números pretos) e diminua este valor da leitura que veio na sua última conta.

A diferença multiplica-se por 30 e depois divide-se o resultado obtido pela quantidade de dias entre a data da leitura que está na conta e a data da sua leitura atual.

Compare este valor, que representa o consumo atual extrapolado para 1 mês, com os seus consumos mensais na fatura da companhia de água.

Se o consumo registrado continuar alterado, use o hidrômetro como aliado para verificar se existe vazamento não vísivel:

- Feche todas as torneiras e certifique-se de que nenhum ponto de consumo (ex.: caixa acoplada, caixa da água/reservatorio) da residência esteja consumindo água.

- O hidrômetro deve permanecer parado, sem nenhum movimento: use o disco central/orientador ou os ponteiros do hidrômetros para confirmar se não está passando água, mesmo sem nenhum ponto consumindo água.

- Caso for verificado movimento no hidrômetro, existe um vazamento não visível.

Se a conta ou o consumo registrado pelo hidrômetro já voltou ao normal, uma possibilidade é que o vazamento verificado no cavalete tenha influenciado no consumo registrado, embora parecesse ser antes do hidrômetro.

Um forma de verificar é comparar o consumo registrado pelo hidrômetro que foi substituído (com as duas últimas leituras, sendo uma a de retirada, e as datas das mesmas que devem estar na conta e fazendo a extrapolação: [leitura de retirada – leitura anterior] x 30 / [diferença de dias entre estas leituras]) com o consumo registrado pelo hidrômetro novo ([1ª leitura – leitura de instalação] x 30 / [diferença de dias entre estas leituras]).

Este comparativo pode mostrar que o problema da conta alterada ocorreu com o medidor antigo substituído e não com o novo.

Uma outra possibilidade da alteração no consumo registrado pode, realmente, estar nas especificações dos medidores, ou pelo simples fato de o medidor ser novo, isto é, não ter sofrido desgaste em seus mecanismos internos pelo uso contínuo: O hidrômetro novo pode registrar vazões bem mais baixas que o antigo que foi substituído, embora não pareça ser este o caso acima citado (Qmin = 0,030 m³/h x 0,050 m³/h). Assim, pequenos problemas na instalação hidrossanitária da residência (por exemplo: torneira bóia da caixa acoplada não fechando totalmente; pequeno furo na tubulação ou numa conexão), que acarretam vazamentos imperceptíveis, agora são registrados pelo novo medidor.

Estes consumos a baixas vazões só ocorrem quando se tem problemas na instalação, que podem ser identificados pelo teste que sugeri anteriormente para identificar vazamentos não-visíveis e/ou não-audíveis usando o próprio medidor para identificar.

Cabe destacar que medidores de água ou hidrômetros apresentam cada vez maior sensibilidade a baixas vazões, ou seja, podem indicar e registrar vazões de até 2 L/h.

Para ilustrar o que isto representa: Nesta vazão demoraria 10 horas para encher com água um balde de 20 litros. E um vazamento com esta vazão tão pequena aumentaria o consumo registrado em torno de 1,44 m³/mês.

Assim, não se trataria de superfaturamento, mas de o novo hidrômetro estar registrando um volume de água que embora não seja consumido pelos moradores da residência, passa pelo hidrômetro e é involuntariamente desperdiçado.

Espero que estas sugestões possam ser úteis na solução de seus problemas com contas de água alteradas.

De onde vem a água que bebemos?

A Zero Hora publicou em seu site e no seu jornal impresso, entre os dias 3 e 6 de junho de 2012, matérias sobre o uso e o consumo da água na região metropolitana de Porto Alegre e  no estado do Rio Grande do Sul.

Os artigos publicados retratam um situação muito preocupante dos nossos rios, cujo estágio atual de poluição de suas águas antecipam uma realidade que há mais de 10 anos atrás era prevista: O problema da água em Porto Alegre não será devido à escassez, mas devido aos esgotos doméstico, industrial e agrícola, sem tratamentos, que são despejados nos rios e arroios que desaguam no Lago Guaíba.

Clique aqui [pdf – 11,7MB] para baixar os artigos publicados. 

Também, disponibilizou o excelente vídeo “De onde vem a água que bebemos?  Conheça o caminho da água que bebemos a partir do Gravataí, um dos rios que deságuam no Guaíba”:

De onde vem a água que bebemos

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Clique aqui para ler o esclarecimento do Departamento Municipal de Água e Esgotos de Porto Alegre sobre a qualidade da água distribuída a sua população:

Dmae esclarece sobre a qualidade da água na Capital

LEITURA DE MEDIDORES DE ÁGUA POR RADIOFREQUÊNCIA – A EXPERIÊNCIA BEM SUCEDIDA DE UM SERVIÇO PÚBLICO DE SANEAMENTO

Autores: Elton J. Mello e Maturino Rabello Jr.
Fonte: 26º Congresso Brasileiro de Engenharia Sanitária e Ambiental. Setembro, 2011. Porto Alegre/RS.

O processo de individualização da medição da água de um condomínio popular com mais de 1.000 economias na cidade de Porto Alegre, cuja gestão da medição – instalação, manutenção e leitura dos hidrômetros, emissão da conta, fiscalização e corte – é por força de lei municipal de responsabilidade do Departamento Municipal de Água e Esgotos – DMAE, oportunizou que se implantasse a leitura dos medidores por radiofrequência – RF.

A decisão de utilizar medição remota baseou-se na certeza de que os resultados positivos esperados da individualização seriam alcançados, em especial a redução da inadimplência e o uso racional da água pelos moradores. De fato, isto ocorreu e possibilitou, consequentemente, a aceleração da política de individualização de condomínios de baixa renda pelo Departamento, exigindo cada vez mais infra-estrutura e mão-de-obra para dar conta do incremento dos novos pontos de leitura, o que não poderia se constituir em um obstáculo.

Assim, visando à adoção da leitura à distância dos medidores como um dos procedimentos de leitura do Departamento e com o objetivo de avaliar o sistema de leitura remota sob os aspectos técnicos – vantagens e desvantagens do uso de sistema de telemetria por RF – e comerciais – confiabilidade, praticidade, economicidade, etc. – o DMAE de Porto Alegre deu o seu primeiro passo para a utilização da telemetria em escala comercial.

O detalhamento dos passos seguidos e os cuidados observados para a incorporação desta nova tecnologia de medição da água por um serviço público de saneamento, assim como os resultados já alcançados estão apresentados neste trabalho.

Clique aqui e baixe o trabalho completo.

Água: Sem Desperdício

O programa Vida e Saúde da RBS TV abordou o tema água na excelente matéria Sem Desperdício apresentada em 17/09/2011, na semana em que Porto Alegre prepara-se para receber o 26º Congresso Brasileiro de Engenharia Sanitária e Ambiental, que ocorrerá de 25 a 28 de setembro.

Nesta parte, a equipe do Vida e Saúde foi até a estação de tratamento de água ETA-Moinhos de Vento do DMAE em Porto Alegre.

Programa Vida e Saúde–Especial Sem Desperdício

 

Clique aqui e acesse o site do programa Vida e Saúde, onde poderá assistir os outros vídeos deste especial.

O maior projeto de reúso de água do mundo

Veja aqui o Cidades e Soluções que mostrou que esgoto tratado pode ser negócio lucrativo – e com muitas possibilidades de aproveitamento. Cedae e Sabesp, as empresas de saneamento das duas maiores cidades do Brasil, estão à frente de projetos ambiciosos. Conheça o maior projeto de água de reúso do mundo, que é do Brasil: é de esgoto tratado a água que será fornecida ao Comperj, o Complexo Petroquímico que está sendo construído pela Petrobras em Itaboraí, na região metropolitana do Rio de Janeiro. Em São Paulo, o projeto Aquapolo também prevê o fornecimento de água de reúso para abastecer o Polo Petroquímico (será o quinto maior projeto do gênero no mundo).

Cidade e Soluções de 07/07/2011–O maior projeto de reúso de água do mundo

Prefeituras e empresas também já perceberam que comprar água de reúso, mais barata, representa economia para usos não-nobres, como rega de jardins e calçadas. É o caso de Santo André, no ABC Paulista, e da indústria de linhas Coats Corrente, em São Paulo. E um novo destino para a matéria orgânica do esgoto caminha a passos largos para a viabilidade comercial: a produção de biodiesel, já comprovada em pesquisas comandadas pela Coppe-UFRJ.

Fonte:  Cidades e Soluções | qui, 07/07/11 por Marina Saraiva |

Como as pessoas comuns podem fazer reúso da água residencial

Compartilho a minha rápida contribuição a uma consulta feita à bióloga e prof.ª. Daniela Lima do blog Consciência Com Ciência sobre o reúso da água em uma residência e que, gentilmente, passou-me a tarefa de responder:

1) De que modo um cidadão comum poderia reutilizar sua água residencial em outras atividades sem gastar dinheiro com instalação de sistemas de reuso?

Posso citar alguns exemplos:

a) Nos banhos quentes com chuveiro – em especial com aquecimento à gás, mas vale para os elétricos também, embora a quantidade de água  seja menor – usar um balde para coletar a água fria e depois reaproveitá-la, seja para a descarga na bacia sanitária, seja para regar plantas;

b) O aproveitamento da água da chuva, aparando a água que desce das calhas dos telhados (pelos tubos de queda pluvial) e utilizando-a para regar plantas e gramados. Nos EUA se comercializa os barris/toneis de chuva, aqui pode-se aproveitar bambonas plásticas descartadas;

c) Armazenar a água que sai da máquina de lavar e utilizá-la para a descarga das bacias sanitárias;

d) O ato de lavar a louça com bacias, como se fazia antigamente ou se pratica na Europa, e não com a água corrente da torneira aberta, já é um forma de reuso, pois a mesma água é utilizada para lavar e enxaguar várias peças de louça. Veja o que diz esta matéria do blog Eco Desenvolvimento:

          Use uma bacia com água para ensaboar a louça sem precisar deixar a torneira aberta. O resultado é o mesmo e você poderá poupar até 160 litros a cada lavagem. Você ainda pode fazer isso na própria pia, tapando a passagem da água.

          Uma conta do Instituto Akatu mostra que com essa atitude, uma família que lava louça três vezes ao dia pode economizar até 480 litros de água, e se cinco famílias adotarem essa medida, em vinte anos terão salvo 17,5 milhões de litros – o suficiente para abastecer quase 9 milhões de pessoas em um dia.

          Para tornar essa economia ainda maior, experimente usar duas bacias – uma para ensaboar e outra para enxaguar as louças. Você irá utilizar apenas 20 litros e economizar 660 litros de água em um único dia.

2) Utilizar a água proveniente de máquinas de lavar é uma maneira de diminuir o consumo de água?

A máquina de lavar roupas é uma das maiores consumidoras de água em uma residência. É responsável, por 10% a 15% da água doméstica consumida, ficando atrás do chuveiro que consome em média 25% . Então a resposta é completamente afirmativa.

Mas atenção: Só utilize a máquina de lavar completamente carregada, nunca lave poucas roupas de cada vez, além do desperdício de água, você estará gastando muito mais energia elétrica, que é produzida utilizando-se a água. Duplo desperdício.

3) O quanto essa reutilização da água em casa por pessoas conscientes poderia ajudar no problema mundial de falta de água?

É interessante abordar esta questão respondendo também aos críticos da luta pela conservação da água, que alegam que a quantidade da água foi, é e será sempre a mesma no Planeta Terra e por isso os argumentos para a sua economia não teriam fundamento.

O problema da água está na acessibilidade e na sua poluição/contaminação.

A acessibilidade é agravada por alterações ambientais que acarretam a redução das chuvas e da recarga dos acumuladores e transportadores de água, como os aquíferos, os açudes, os rios, etc., assim o acesso a água está cada vez mais difícil, pois a água está mais longe das populações.

A poluição/contaminação torna cada vez mais onerosa, ou até mesmo impeditiva, a utilização da mesma para o consumo humano, exigindo grandes investimentos para recuperá-la.

Cabe destacar que o aumento da produção de alimentos, é outro agravante que dificulta a acessibilidade e aumenta a poluição/contaminação da água, sendo a agricultura responsável pela maior parte do consumo da água mundial, cerca de 80%.

Desta forma, se pouparmos a água que consumimos, estaremos contribuindo para a conservação do ciclo da água, gerando menos água residual para ser tratada e facilitando a nossa vida, da nossa comunidade e garantindo melhores condições de vida para a própria humanidade.

Reúso de água do banho familiar para o vaso sanitário

Projeto experimental desenvolvido pela ONG – Sociedade do Sol para reutilizar a água do banho na descarga do vaso sanitário em uma casa térrea.

O sistema consiste em: uma peneira, um reservatório subterrâneo, um clorador, uma caixa de descarga, uma bomba de água manual e tubulações que conectam o ralo do chuveiro, o reservatório, a bomba de água manual, a caixa de descarga do vaso e o esgoto.

Reuso

Fonte: Ministério da Educação – Banco Internacional de Objetos Educacionais

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