Nova York venceu crise de água sem gastar muito dinheiro

Fonte:  Jornal Nacional – G1 Rede Globo – Edição do dia 12/02/2015

Em 1990, a cidade teve que que planejar a preservação de reservatórios e atacar o desperdício.
(clique neste link para ver a reportagem – vídeo)

Nos Estados Unidos, na década de 1990, Nova York também enfrentou uma crise grave no abastecimento. A cidade teve que que planejar a preservação de reservatórios e atacar o desperdício. É isso que a gente vê na reportagem dos correspondentes Alan Severiano e Sherman Costa.

A beleza que se vê de cima não se confirma embaixo da terra. Mas é assim, com obras de combate ao desperdício, que Nova York dia a dia garante o seu bem mais precioso: a água é um orgulho da cidade, dona de um dos sistemas de abastecimento mais eficientes do mundo.

Há décadas, a prefeitura vem comprando terras em volta das represas, no interior do estado, para garantir água limpa e abundante. A água desce dos reservatórios nas montanhas com força suficiente para chegar até o sexto andar dos prédios, sem precisar de bomba.

As cervejarias artesanais fazem a festa. O cervejeiro Chris diz que a água de Nova York tem poucos minerais. Com ela dá para criar vários tipos de cerveja.

Mas em 1990, esse patrimônio natural esteve ameaçado. A cidade enfrentou quatro secas em uma década. O nível dos reservatórios caiu pra 27%, enquanto o consumo crescia perigosamente.

Gastando mais do que o nível considerado seguro, Nova York corria o risco de racionar água. A cidade precisava agir rápido e tinha duas opções: a primeira era buscar água mais longe, no alto do rio Hudson, construir uma nova rede de tubulações e também usinas para tratar mais esgoto. A segunda opção era reduzir o desperdício, consertando os vazamentos e educando a população para gastar menos água. Foi essa a alternativa escolhida. E o que falou mais alto foi o dinheiro.

Em vez de US$ 5 bilhões com obras gigantescas, o programa para economizar água custou um décimo: US$ 500 milhões. Quem tomou a decisão foi Albert Appleton, que comandava, nos anos 90, o departamento de Proteção Ambiental, o órgão público que cuida do abastecimento de água em Nova York.

“Se o consumo continuasse crescendo, teríamos de construir uma represa atrás da outra. A gente ia ficar como cachorro correndo atrás do rabo e isso sairia muito caro”, diz Albert Appleton.

O programa foi tão bem sucedido que as principais iniciativas continuam em vigor. Por ano, mais de 90 quilômetros de canos são trocados, com a ajuda de sonares que detectam os vazamentos.

“Alguns têm mais de cem anos”, explica o operário.

Nas escolas públicas, a cidade distribuiu vídeos educativos e promoveu concursos pros alunos com o tema da preservação. Para dar o exemplo, a mudança mais importante foi nos banheiros. Saem as privadas e descargas antigas que, a cada jato, transformam 19 litros d’água limpa em esgoto. Entram as novas, que gastam 70% a menos.

O mesmo acontece nos prédios residenciais. Para cada privada e descarga econômicas que instalam, os moradores ganham um cheque de US$ 125. Na cidade inteira, um milhão e meio foram substituídas. Os maiores hotéis foram incentivados a diminuir o consumo em 5%.

Albert explica que outra estratégia foi estabelecer faixas de consumo na conta de água. Quem ultrapassa paga mais caro.

“O importante é que não pedimos para a população poupar água sem antes fazer a nossa parte. Foram as duas coisas ao mesmo tempo”, afirma Albert Appleton.

Hoje, com um milhão de habitantes a mais, Nova York consome um terço de água a menos do que há 25 anos. A mudança abriu espaço para reformas que não podiam ser feitas com o sistema no limite.

A maior obra de reparo de encanamento da história de Nova York começou há dois anos e só vai terminar em 2023. Quando ficar pronta, a cidade vai ganhar por dia um volume de água equivalente ao de 50 piscinas olímpicas. É o que hoje se perde em vazamentos no principal aqueduto que abastece a cidade.

Na obra de R$ 1 bilhão, os operários estão construindo uma tubulação paralela, que depois será ligada ao ramal principal. Para isso, o aqueduto vai ficar seis meses sem funcionar, mas sem provocar transtornos. A cidade já está planejando o abastecimento dos próximos 50 anos. Adam Bosch, do departamento de proteção ambiental, garante que não há risco de faltar água.

Fã da água de Nova York, Albert alerta: construir novas represas e sistemas de abastecimento deve ser a última opção. A prioridade é proteger os mananciais, economizar e administrar melhor o sistema. Ele diz que o desperdício na rede caiu para cerca de 10%.

Isso é um terço das perdas em São Paulo e no Rio, que acabam sendo pagas pelo consumidor. Lições de uma cidade que descobriu logo cedo que água é vida. E também dinheiro!

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Veja também O segredo da água de Nova York

Medição Inteligente – em destaque no evento Metering Latin America

Entrevista publicada no site da Metering Latin America 2010:
Elton Mello
Gerente Técnico do Laboratório de Medidores de Água
DMAE
Brasil

  1. Nos dê uma visão geral das operações de medição e projetos em andamento na sua empresa.
    A qualidade da medição, além dos programas de manutenções corretiva e preventiva com a substituição dos medidores  a cada 5 ou 8 anos, conforme critérios de utilização e operação, é buscada através de várias ações que envolvem o DMAE como um todo e que são orientadas pelos indicadores – perdas por ligação, perdas de faturamento, hidrometração, macromedição, produtividade de pessoal –  estabelecidos no  Acordo de Melhoria de Desempenho, assinado junto à Secretaria Nacional de Saneamento Ambiental para contratação do Programa “Saneamento para Todos”. De uma forma ou outra estes indicadores, obrigatoriamente, impactam ou são impactados pela qualidade da medição.

    Outros dois programas, resultantes de legislação municipal, orientam a política de medição do Departamento: Programa de Conservação, Uso Racional e Reaproveitamento das Águas, onde se inclui o Programa de Individualização da Medição, sendo o DMAE responsável pela gestão da medição individualizada em condomínios populares.

  2. Qual o benefício da medição inteligente/smart grids para sua empresa? (Quais os projetos em andamento, pilotos, resultados, etc)
    A medição inteligente tem na individualização da medição um dos principais fatores que a está impulsionando no mercado imobiliário e, também, oportunizando a sua incorporação pelo setor água. A individualização permite que se aprofunde o conceito de justiça na cobrança da água – o usuário paga apenas o seu consumo – e atua como incentivadora para a sua economia e conservação e, por isso, tende a crescer ainda mais no Brasil.

    Mas, para isso, a instalação de sistemas de individualização da medição deve ser prática e ágil, em especial dispensando a plena acessibilidade ao hidrômetro para a leitura mensal, de forma a permitir que o mesmo seja instalado em locais cujo acesso se dê apenas no momento da manutenção.

    Claro que esta vantagem pode e deve ser estendida à medição em geral – residencial, comercial e industrial, pois a acessibilidade ao hidrômetro é uma das maiores causas de negativa ou erro de leitura, o que implica em emissão de contas de água por média e que, muitas vezes, camuflam problemas, como vazamentos, que estão ocorrendo ou ocorreram nas instalações hidrossanitárias do imóvel.

    Aliada a esta vantagem, outro benefício da medição inteligente é a confiabilidade dos dados que, praticamente, reduz os erros de leitura à zero. No caso do DMAE, considerando os seis primeiros meses de 2010, o índice de leituras que apresentaram erros e que foram revisadas foi de 2,05% do total de medidores lidos, o que significa uma média de 5.450 leituras/mês. Some-se a este indicador as alterações nos consumos medidos que exigiram a confirmação de leitura e que, no mesmo período, representaram 2,24% do total de leituras realizadas, representando uma média de 5.950 re-leituras/mês.

    Esta confiabilidade é alcançada pela ausência da interface humana no ato da leitura e, principalmente, graças às informações adicionais que agregam valiosos parâmetros ao volume registrado e lido, como vazamentos (sua existência é comprovada e é indicado qual o volume desperdiçado) e fraude no medidor (inversão).  Desta forma, além dos custos envolvidos, o DMAE evita a reemissão de contas de água ou mesmo a devolução de valores pagos indevidamente e o usuário tem a garantia de uma medição correta e transparente, podendo pleitear revisão da conta com os dados registrados para o caso de vazamento ou fuga, quando a legislação permite, como ocorre em Porto Alegre.

    No primeiro trimestre de 2009, realizou-se um pequeno piloto, quando todas as vantagens e desvantagens foram avaliadas tecnicamente e levantados os cuidados e as exigências para a aplicação em maior escala de um sistema de medição por rádio-frequência. Por isso o DMAE conta, desde novembro de 2009, com dois locais que são telemedidos: Mercado Público com 114 bancas/lojas e um Condomínio Popular com 1.236 apartamentos.

    O sucesso destas experiências permitiu que se projete um total de 4.000 pontos de medição a serem cobertos até meados de 2011, incluindo novos condomínios que estão sendo construídos com financiamento federal pelo Programa “Habitação Popular – Entidades – MInha Casa, Minha Vida”, cuja medição e entrega das contas serão feitas pelo DMAE e, também, galerias comerciais espalhadas pela cidade cuja localização do medidor no interior dos estabelecimentos é um complicador para o ato de leitura.

  3. Que estratégias estão em vigor para reduzir perdas?
    A medição inteligente incorpora facilidades que são poderosas armas no combate às perdas por submedição e imprescindíveis para as empresas de água poderem atuar efetivamente e eficazmente.A gestão contínua da operação dos hidrômetros instalados – aplicada especialmente nos grandes consumidores – permite identificar instantaneamente medidores parados, possibilitando a troca imediata dos mesmos e com isso evitando a cobrança por média; ou acionar a manutenção preditiva em medidores que apresentem indícios de queda de desempenho.

    A gestão do consumo de cada usuário, ou seja, conhecer o histograma ou perfil de consumo real de cada uma das ligações de água, com suas vazões mínimas e máximas e o percentual de volume consumido em cada uma das faixas de vazões, é a ferramenta da medição inteligente a ser empregada para o correto dimensionamento dos medidores por parte da empresa de água e utilizada pelo consumidor para evitar os desperdícios de água.

  4. Quais as próximas atividades na área de medição de sua empresa?
    A redução das perdas por submedição orientada pela gestão contínua da medição e pela gestão do consumo é a responsável pela contratação em 2010 e implantação, a partir de 2011, de uma solução completa de medição inteligente para os 650 maiores consumidores do DMAE e que respondem por aproximadamente 15% do volume medido e 19% de seu faturamento.

    Esta é a primeira etapa do projeto que objetiva alcançar nos próximos 5 anos os 3.000  maiores consumidores – responsáveis por cerca de 50% do faturamento do Departamento – através de um sistema de AMR, que permita compartilhar via web as informações obtidas em tempo real com cada cliente e assim compatibilizar a melhoria da qualidade da medição com  o uso racional da água.

  5. Quais são alguns dos principais desafios que sua empresa irá enfrentar nos próximos anos?
    O maior desafio que as empresas de água em geral, e o DMAE em particular, irão enfrentar nos próximos anos será o imperativo global cada vez maior para a adoção de novas tecnologias para monitorarem e conservarem a água que captam, tratam e distribuem e, ao mesmo tempo, permitirem que em tempo real o cliente veja o seu consumo, os preços tarifados por volume consumido e o valor dispendido em água, para que ele mesmo possa minimizar ou otimizar o seu uso.

    A tecnologia de smart grid ainda está muito cara, principalmente se comparada com a realidade de carência de infra-estrutura na área de saneamento no Brasil, mas o seu uso crescente, com a aplicação mesmo que não plena da medição inteligente, tende a reduzir rapidamente os seus custos.

    Por outro lado, os gargalos tecnológicos estão sendo superados pela criação de normas técnicas – como a NBR 15806, primeira norma mundial para sistemas de medição remota -, permitindo, inclusive, que se vislumbre o estabelecimento de padrões de comunicação para garantir a interoperacionalidade dos equipamentos de fabricantes diferentes, o que facilitará e dará segurança no processo de implantação em larga escala da medição inteligente pelo setor água.

    Assim, podemos afirmar que as empresas de água que mais cedo começarem a dominar e incorporar o uso do smart grid, mesmo que parcialmente em seus processos de medição, mais aptas estarão para responderem as exigências que o mercado, a sociedade e o meio-ambiente já estão impondo.


    Elton Mello, Gerente Técnico do Laboratório de Medidores de Água, DMAE
    Engenheiro Mecânico formado em 1980 pela Universidade Federal de Santa Maria com especialização em Engenharia Clínica pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Engenheiro concursado, desde 1995, do Departamento Municipal de Água e Esgoto – DMAE, tendo atuado na área de micromedição e perdas. De 2001 a 2003 exerceu a função de Superintendente Comercial do DMAE, responsável pelas áreas de aprovação de projetos hidrossanitários, de ligações de água e micromedição, de arrecadação e de atendimento ao usuário. No período de 2003 a 2008 esteve cedido ao Ministério da Saúde do Brasil para atuar como Gerente de Engenharia e Patrimônio do Grupo Hospitalar Conceição de Porto Alegre – RS. Em junho de 2008, retornou ao DMAE para ocupar o cargo de Gerente Técnico do Laboratório de Hidrômetros com a missão de levar o Laboratório à certificação pela NBR ISO /IEC 17025:2005 e a tarefa de implantar a telemetria na medição da água distribuída pelo DMAE na cidade de Porto Alegre/RS.

    Trabalhos publicados:
    * Mello, Elton J., Rabello Jr., Maturino. Manutenção preditiva de medidores de água, baseada em critérios comerciais. 39ª Assembléia Nacional da ASSEMAE. Anais. Gramado-RS, maio de 2009.
    * Mello, Elton J., Farias, Ruben de L. O ar e a sua influência na medição do consumo. XXI Congresso Brasileiro de Engenharia Sanitária e Ambiental – ABES. Anais. João Pessoa-PB, 2001.
    * Mello, Elton J. As perdas não físicas e o posicionamento do medidor de água. XXVII Congresso Interamericano de Engenharia Sanitária e Ambiental – AIDIS. Anais. Porto Alegre-RS, 2000.
    * Mello, Elton J. Perdas não físicas pela submedição: O hidrômetro classe C é a solução? 28ª. Assembléia Nacional da ASSEMAE. Anais. Porto Alegre-RS, 1999.
    * Mello, Elton J. Recuperação de hidrômetros: Prejuízo ou investimento? 27ª. Assembléia Nacional da ASSEMAE. Anais. Vitória–ES, 1998.
    * Mello, Elton J. Perdas na medição: A contribuição do hidrômetro inclinado. 24.ª Assembléia Nacional da ASSEMAE. Anais. Brasília-DF, 1997.

    Sobre o Departamento Municipal de Água e Esgotos (DMAE)
    O Departamento Municipal de Água e Esgotos (DMAE) foi criado em 15 de dezembro de 1961 e é o órgão responsável pela captação, tratamento e distribuição de água, bem como pela coleta e tratamento do esgoto sanitário (cloacal) no município de Porto Alegre, Estado do Rio Grande do Sul, Brasil, cuja população é de aproximadamente 1.450.000 habitantes.
    É responsabilidade do Departamento fiscalizar e manter esses serviços, além de planejar e promover, de forma constante, seu melhoramento e ampliação, garantindo a infra-estrutura necessária para o crescimento sustentável da cidade.
    O DMAE conta hoje com cerca de 2.500 funcionários ativos e uma estrutura que inclui oito (8) Estações de Bombeamento de Água Bruta (EBABs), sete (7) Estações de Tratamento de Água (ETAs), 92 Estações de Bombeamento de Água Tratada (EBATs), 99 reservatórios, nove (9) Estações de Tratamento de Esgotos (ETEs), 17 Estações de Bombeamento de Esgotos (EBEs), cerca de 3,7 mil quilômetros de rede de água e mais de 1,6 mil quilômetros de rede de esgotos, além de serviços de atendimento ao usuário.
    Atualmente 100% dos porto-alegrenses são abastecidos com água tratada e 85% da população dispõe do serviço de coleta de esgoto. A capacidade de tratamento de esgotos da cidade é de até 27% e, através do Programa Integrado Sociambiental (PISA), o Departamento executa obras com previsão de conclusão em 2012, que irão ampliar o tratamento de esgotos em Porto Alegre para 77%.

Via [MLAM2010]

Telemetria agiliza leitura de hidrômetros

Com objetivo de qualificar e agilizar o trabalho dos leituristas do Departamento Municipal de Água e Esgotos – DMAE de Porto Alegre, a seção de medição do departamento está colocando em prática uma nova técnica para leitura dos hidrômetros: a Telemetria. O novo sistema consiste na transmissão de dados via ondas de rádio-frequência, por meio de um sensor previamente instalado nos hidrômetros.

O sistema foi estreado no Mercado Público da Capital. O local foi escolhido por acolher, em uma mesma área, 112 hidrômetros instalados em locais de difícil acesso para leitura. Não foi somente esse fator a contar na escolha: “Aproveitamos os 140 anos do Mercado Público, que foi comemorado em 2009, para também homenagear todos que ali trabalham. Além de não precisarmos mais entrar no ambiente de trabalho dos comerciantes, pois os hidrômetros ficam atrás de geladeiras ou prateleiras, o que atrapalhava a rotina deles, era necessário o dia inteiro para medir todos hidrômetros desse local. Agora, com o novo sistema, a leitura completa no Mercado pode ser realizada em 40 minutos, sem interferir no trabalho das pessoas”, relatou Maturino Rabello, chefe da seção de medição do Dmae.

Segundo Gilberto Esteves, que possui estabelecimento comercial há 30 anos no Mercado Público, a nova modalidade de leitura de hidrômetros representa um avanço: “Agora está muito melhor. Antes tínhamos que deslocar um funcionário que, às vezes estava atendendo um freguês, para acompanhar o leiturista. Isso não existe mais. Otimizou o trabalho do Dmae e do comerciante”, explicou.

Segundo o chefe da seção de medição do Dmae,  outras localidades poderão ter a Telemedição na leitura. Terão preferência para a implantação do novo sistema locais onde existam um grande número de hidrômetros com dificuldade de acesso pelos leituristas.

Fonte: Prefeitura Municipal de Porto Alegre, 18/02/2010.

Clique aqui para ver o vídeo do Jornal da TVE/RS sobre esta matéria.

Calculando o custo de um gotejamento

De: James Laughlin
Fonte: WaterWorld
Data: Maio/2009

Toda vez que eu vou ao banheiro aqui no trabalho, eu fico chateado por uma torneira pingando no banheiro masculino. Trata-se de uma torneira com um manípulo arredondado. Se o manípulo está centrado, é somente um gotejamento lento.  Mas se ele é girado para a esquerda, torna-se um gotejamento contínuo.

Eu contei isto  para o engenheiro responsável pela manutenção do edifício e ele disse que estava em sua lista de coisas para fazer, mas tenho a impressão de que era uma longa lista e o gotejamento estava próximo do fim da mesma. De qualquer forma, continua ainda gotejando.

Segundo a EPA, uma torneira que goteja a uma taxa de uma gota por segundo pode desperdiçar mais do que 11.000 litros de água por ano.

E, a propósito, é a água quente que está escorrendo no banheiro masculino. Portanto, não é apenas água desperdiçada, mas ela também desperdiça energia.  (Eu realmente não vejo a água como “desperdíçada”. Ela somente não é utilizada. O que é desperdiçado é o tempo, dinheiro e energia necessária para tratar a água, entregá-la para a torneira,  então coletar e tratar a consequente, err, água residual. Então, você poderia dizer que o gotejamento de água quente está desperdiçando força e energia!).

A American Water Works Association tem uma útil calculadora online na sua página  WaterWiser. Para maiores e mais rápidos vazamentos, é melhor você segurar firmemente um copo de 240 ml sob o gotejamento e calcular o tempo, em segundos, que leva para encher o copo. Eu virei o manípulo para a esquerda, onde o gotejamente é pior e o copo ficou cheio em 40 segundos.  Isso equivale a  cerca de 188.000 litros por ano, de acordo com a calculadora.

Existem várias calculadoras para vazamento de água disponível na web adequados para uso em residências e empresas. Para os serviçoes de água, a AWWA oferece software mais robustos para uso nos programas de controle de perdas de água.

A associação publicou recentemente a terceira edição do Manual AWWA M36, Programas de Controle de Perdas e Auditoria de Água.  O manual fornece instruções passo-a-passo com orientações e ferramentas padronizadas para a realização de uma auditoria da água e a implementação de um programa de controle de perdas de água para todos os serviços de água.

Além disso, a Comisssão de Controle de Perdas de Água da AWWA  lançou a nova versão grátis, para download, do Software para Auditoria da Água.  A Versão 4 da planilha de cálculo permite aos serviços realizar uma auditoria básica da água que é ideal para pequenos sistemas.

Em uma nota relacionada, li um interessante artigo on-line sobre um estudo que verificou que as pessoas são mais susceptíveis para conservar água quando elas se sentem ajudando o meio ambiente ou economizando dinheiro. Elas são menos susceptíveis de conservar, quando direcionadas a fazê-lo por mandato governamental. O levantamento foi realizado pela San Jose State University, na Califórnia.

Para incentivar as pessoas para a conservação, pesquisadores aconselharam os serviços locais de água a utilizarem de exemplos concretos de como a utilização da água afeta o meio ambiente e os custos associados com vazamentos nas instalações e nas torneiras.

Pergunto-me se o engenheiro responsável pela manutenção do edifício iria agir se eu dissesse a ele que ele está elevando a pegada (footprint) de carbono da empresa, ao não corrigir a fuga? Ou será que ele apenas se afastaria murmurando alguma coisa sobre  as pessoas e suas manias?

Você pode saber mais sobre o Manual M36, fazendo o download gratuito do Software de Auditoria da Água e encontrar a calculadora do gotejamento de água na seção WaterWiser do site da AWWA.

Para ler o original deste post, clique aqui.

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As ações para o consumo inteligente de água na maior cidade do Brasil

Conheça as medidas que a cidade de São Paulo está colocando em prática para evitar o aumento no custo da água potável e o risco de racionamento no vídeo do Programa Cidade e Soluções – Globo News, apresentado em 23/04/2009.   Clique aqui para ver o vídeo.
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N.E.: PUBLICADO EM 31/05/2009

Gestão e controle de perdas: Um manual de treinamento das melhores práticas

PERDAS é uma das questões cruciais a ser tratada para melhorar a eficiência e eficácia dos serviços de abastecimento de água. Embora as técnicas e aspectos institucionais envolvidos em um programa de controle de perdas sejam bem conhecidos, há falta de materiais adequados para utilização em programas de formação sobre este problema. Este manual de treinamento visa preencher esta lacuna. Sua utilização deve ser vista como parte de uma estratégia global para a promoção de sólidas práticas de operação e manutenção (O & M) no contexto de uma abordagem abrangente para o desenvolvimento institucional.

Este manual de treinamento é dirigido aos profissionais responsáveis pela Operação e Manutenção de sistemas de abastecimento de água, que já tem alguma experiência de treinamento. Foi concebido para aumentar seu nível de treinamento e disponibilizar a máxima utilização dos escassos recursos para este tipo de atividade. O manual ajudará enormemente a execução das atividades de treinamento e será um importante instrumento para os capacitadores na concepção, preparação e realização de cursos de treinamento no controle de perdas. No final do curso, os participantes qualificados devem ser capazes não só de reproduzir o curso de treinamento com outros profissionais, mas também auxiliar as agências e empresas de água na formulação e implementação de um programa de controle de perdas.


Leakage management and control: A best practice training manual

Elaborado por Malcolm Farley
Produzido pela Organização Mundial da Saúde – WHO/SDE/WSH/01.1 © 2001, WHO

Download o arquivo pdf [724kb]
Acesse o livro em formato html

Via [Bio, OMS]

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N.E.: PUBLICADO EM 09/08/2009

Redução e controle de perdas em linhas tronco e redes distribuidoras de água, por meio do monitoramento e redução de pressões

Casos em Sistema de Abastecimento de Água da RMS Metrolopolitana de Salvador-BA

Atualmente o índice de perdas nas redes distribuidoras de água das empresas de saneamento básico do Brasil e da América Latina alcança valores, em média, superiores a 40% do volume produzido, tornando cada vez mais difícil o equilíbrio de pressões na rede de distribuição de água, e a própria auto-suficiência econômico-financeira destas empresas.

A Figura 4 abaixo apresenta os índices percentuais das perdas de água nas Companhias de Saneamento dos Estados do Brasil, referidos aos anos 2001, 2002 e 2003.

Figura 4 - Índice de perdas de água nas companhias de saneamento estaduais

Figura 4 - Índice de perdas de água nas companhias de saneamento estaduais

Em se tratando do segmento profissional cuja atividade é lidar cotidianamente com os serviços de saneamento (particularmente os serviços de abastecimento de água tratada à população), preocupação e comprometimento, intrinsecamente ligados aos processos de trabalho relativos a esses serviços, devem nortear toda e qualquer metodologia aplicada ao controle e monitoramento dos seus sistemas, em especial aquelas que focam o contínuo combate ao desperdício e às perdas de água nesses sistemas.

Vislumbrando-se sob uma ótica de similaridade, pode-se conceber uma analogia entre o corpo humano, com ênfase no cérebro e no coração (com suas veias e artérias transportando pelo corpo o sangue bombeado), e um sistema hidráulico.

Nessa mesma analogia, gestores de sistemas de abastecimento de água (SAAs), representam a figura dos profissionais de saúde, cujo monitoramento dos sistemas (seus pacientes) encontra-se sob sua inteira responsabilidade.

Um sistema de abastecimento de água (SAA) é basicamente composto, em sua grande maioria, de sub-sistemas tais como: captação; rede de adução de água bruta; unidade de tratamento; rede de adução de água tratada; reservatório(s) de distribuição; unidades de sistemas de elevatórias; linhas tronco; e rede de distribuição de água.

A Figura 5, a seguir, ilustra, de forma esquemática, um (SAA) composto dos sub-sistemas acima relacionados, além de um sistema de esgotamento sanitário (SES), também de maneira esquemática.

Figura 5 - Ilustração, de forma esquemática, de um sistema de abastecimento d’água (SAA) composto de sub-sistemas, além de um sistema de esgotamento sanitário (SES).

Figura 5 - Ilustração, de forma esquemática, de um sistema de abastecimento d’água (SAA) composto de sub-sistemas, além de um sistema de esgotamento sanitário (SES).

Geralmente projetados para horizontes de 10 (dez) a 20 (vinte) anos, os sistemas de abastecimento de água estão suscetíveis a distorções na relação entre oferta e demanda, devido a fatores sócio-econômicos diversos, como crescimento desordenado e ocupações irregulares, muito freqüentes nos dias de hoje, além do descompasso existente entre o crescimento contínuo das cidades e o acompanhamento desse crescimento por meio do cadastro técnico da rede distribuidora de água e do cadastro técnico comercial das concessionárias dos serviços públicos de abastecimento de água.

Ao longo do tempo, tanto quanto maior for o período de alcance estabelecido pelo projetista, essa realidade aponta, naturalmente, para a necessidade da realização de estudos constantes, objetivando uma reavaliação desses sistemas e, conseqüentemente, de investimentos para sua melhoria operacional.

Dada a sua conformação física, é no sistema de distribuição de água, situado à jusante de todas as unidades operacionais (sub-sistemas) dos SAAs, que podem ser adotadas e aplicadas as ações de carga rápida (ações de cunho eminentemente gerencial), tecnicamente depuradas, na tentativa de minorar o grau de obsolescência desses sistemas. Para isto, faz-se necessária a permanente atualização, tanto do cadastro técnico da rede distribuidora de água, bem como do cadastro técnico comercial, processos estes que não podem (e não devem) sofrer solução de continuidade, uma vez essas atividades possuem uma característica preponderante: são dinâmicos, com mudanças constantes em sua conformação.

Atualizados continuamente numa base georreferenciada, esses cadastros proporcionam aos gestores dos sistemas o poder de análise necessário para que se identifique, de forma permanente e no curto prazo, a relação entre a oferta e a demanda dos sistemas por eles gerenciados, orientando-os no direcionamento das suas ações, objetivando a melhoria dos serviços prestados à população, sejam esses serviços de origem operacional ou comercial das empresas de saneamento.

Aliadas a todas essas ações, o controle e o monitoramento constante das pressões na rede distribuidora se tornam ferramentas extremamente necessárias. Mantendo continuamente os seus valores (mínimos e máximos) dentro das faixas estabelecidas em normas técnicas, bem como aplicando-se a regularização da vazão noturna, proporciona-se a regularidade do abastecimento de água e uma significativa redução nas perdas físicas das redes distribuidoras dos sistemas.

Assim sendo, esta metodologia de trabalho teve por objetivo, por meio do planejamento estratégico e com a utilização de ferramentas da qualidade total, implementar a redução das perdas em linhas tronco e nas redes distribuidoras da água com o monitoramento, o controle e a redução de pressões em sistemas de abastecimento de água (SAAs) localizados na Região Metropolitana de Salvador (RMS), especificamente o SIAA de Candeias, Madre de Deus e São Francisco do Conde, e o SAA da cidade de Simões Filho, operados pela Embasa.

Baixe aqui o trabalho completo em PDF.

Autores: ASSIS, Sérgio Oliveira P. de, ANDRADE, Paulo Romero G. S., SOBRINHO, Renavan Andrade
Fonte: 39ª Assembléia Nacional da ASSEMAE. Anais. Gramado-RS, Maio/09.

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N.E.: PUBLICADO EM 02/06/2009

Análise do desempenho em campo de hidrômetros Qn 0,75 m³/h

A EMPRESA DE SANEAMENTO DE CAMPINAS possui aproximadamente 250.000 ligações de água, sendo que em cerca de 70% utiliza o hidrômetro tipo velocimétrico Qn = 0,75 m³/h, classe metrológica B.

Até o ano de 2003 o principal modelo de hidrômetro utilizado era o tipo velocimétrico multijato Qn 1,5 m³/h, classe B, e a partir de 2004 houve uma alteração no critério de dimensionamento, passando a ser adotado também o modelo unijato Qn 0,75 m³/h, para as ligações de água com consumo até 30 m³/mês.

No ano de 2005 a EMPRESA DE SANEAMENTO DE CAMPINAS foi pioneira na utilização do IDM – Índice de Desempenho da Medição, para recebimento de lotes de hidrômetros, fato que aumentou consideravelmente a qualidade dos produtos adquiridos.

De modo geral os hidrômetros Qn 0,75 m³/h representam um bom investimento e contribuem diretamente para a redução da submedição e do Índice de Perdas na Distribuição – IPD, entretanto as marcas instaladas apresentam desempenhos distintos, tanto nos ensaios de laboratório quanto na utilização em campo, fato que indica a necessidade de melhoria nos processos de licitação, de acordo com a legislação vigente.

O presente trabalho tem o objetivo de apresentar os resultados obtidos pela EMPRESA DE SANEAMENTO DE CAMPINAS, com a utilização dos hidrômetros Qn 0,75 m³/h, classe B, analisando o desempenho das marcas utilizadas, bem como o impacto no IPD.

Baixe aqui o trabalho completo em PDF.

Autor: GARCIA, Maurício A.
Fonte: 39ª Assembléia Nacional da ASSEMAE. Anais. Gramado-RS, Maio/09.

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N.E.: PUBLICADO EM 02/06/2009

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